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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A verdadeira resposta da sociedade civil


Vemos aquilo que nos mostram, ouvimos aquilo que nos contam e lemos aquilo que nos explicam. A imagem do país agitado e agressivo é certamente real, mas parcial. Porque os holofotes vão onde há circunstâncias que permitem manter a atenção cativa, sem grande esforço. Somos audiência. 
Dito isto, na penumbra, onde a maioria de todos nós vive, silenciosa e ordeiramente, batalha-se, esforçadamente pela oportunidade. Os Portugueses são um povo de pessoas com ideias, imaginação, competência, talento e iniciativa. Face às necessidades que se acumulam, à margem dos holofotes, vão surgindo novas e inovadoras iniciativas empresariais e solidariedades, aqui e ali, um pouco por toda a parte, para abrir novos caminhos e oferecer novas respostas. Nas empresas, nos pequenos negócios, nas Instituições de solidariedade, nas Associações, nas redes informais, localmente. Propostas que entusiasmam, modernas, radicais.
E existe uma enorme convergência de ideias, de esforços, de soluções para as carências que todos constatamos. A páginas tantas, longe do ruído das ribaltas, constatamos como todos dizemos o mesmo, propomos o mesmo, andamos a fazer o mesmo e queremos o mesmo. E o mesmo é que a sociedade portuguesa precisa de unir as pessoas, as ideias, os recursos e chegar a soluções que tenham massa crítica e escala para que as medidas que hoje nos são propostas pelo Governo para estimular a economia, surtam pleno efeito. 
E o que falta para que isso aconteça? Liderança. Inteligência. Generosidade. Vontade e esforço. A sociedade civil não se organiza nem age à base de decretos nem se impõe por força de um poder organizado que a representa. É por isso urgente que uma série de pessoas, que a representam nas suas vertentes e facetas plurais, se unam para dar escala e força aos ativos de que dispõe: às ideias, recursos, talentos, vontades e esforços. Não é o Governo que cria postos de trabalho. É a sociedade civil. Não bastam os fundos do Estado e da União para estimular a economia, há que complementá-los com os fundos privados. Não são os diplomas que promovem o empreendedorismo que fabricam empreendedores, mas sim a sociedade avisada e com imaginação. Nem sequer é o Governo que exporta e conquista novos mercados, mas aquele que viaja, vezes sem conta, pelo mundo fora, à procura de novos clientes. Não se espere que o Governo se ponha a fazer o que só à sociedade compete e o que compete é aproveitar as condições que o Governo cria, para avançar com respostas, à escala do que pretendemos e sabemos que urge: transformar o país. 
Hoje, as luzes mediáticas incidem sobre ruídos legítimos mas inúteis e vazios, perspetivas desmoralizantes e sem saídas, propostas destrutivas e improdutivas, guerras políticas vãs e cansativas. A alternativa a este ruído virá quando a sociedade civil for capaz de articular os sons do silêncio e transformá-los numa incontornável narrativa de êxito. Todos sabemos como fazê-lo. Porém, há que articular-se, promover lideranças, agir e aproveitar o enquadramento de mudança que nos é proposto e avançar decisivamente. Esta resposta, a única que importa e urge, é a que irá gerar a dinâmica ganhadora e os holofotes não terão outro remédio senão retratá-la. A voz, a imagem e a história de um êxito. De todos.

domingo, 17 de fevereiro de 2013


Evangelho – Mt 6, 24-34: "Olhai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam; mas Eu vos digo: nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles". Os lirios do campo são um dos melhores indicadores de bordo que podemos ter. Sendo algo exterior, é dentro de nós que os devemos procurar. E quando os encontrarmos e os soubermos apreciar e imitar, tudo o resto vem por acréscimo.

domingo, 27 de janeiro de 2013


Não sei o que os meus amigos facebookianos, companheiros de rota existencial, pensam ácerca da importância que os lugares têm na nossa maneira de sentir as coisas e até de dar forma a uma identidade determinada, que coabita, junto com outras, dentro de nós. O nosso Bilhete de Identidade é algo bem mais complexo que um simples cartão de identificação que nos arruma numa determinada circunstância pessoal. Vimos dos que nos deram origem, estamos vinculados ao lugar onde nascemos e pertencemos onde vivemos habitualmente. Mas...e com este "mas" é que começa a verdadeira aventura. Porque com os pés assentes nesse substrato existencial, os percursos que vamos abrindo ao longo da vida levam-nos a acrescentar, a essa identidade, vivências "geográficas" que podem ir ao ponto de criar novas identidades de nós próprios, que, como disse, passam a coabitar, em harmonia, ou não - depende muito de cada um - dentro de nós. Há quem as carregue dentro de si toda a vida, como se fossem troféus, postais, que se colocam na nossa estante das recordações. Há quem as veja mais como um casacão pendurado no armário que vestimos quando nos temos que deslocar a essa identidade. Seja como for (cada um que descubra a sua própria maneira de viver as coisas), a verdade é que quando olhamos para essas vivências muito marcadas que nos vão acrescentando campos ao nosso BI de partida, tomamos consciência de que somos vários e muitos ao mesmo tempo e que isso não nos surpreenda nem nos inquiete. Sou e somos. Um e vários. Um determinado alguém cujo espetro de luz se vai ampliando ao longo da vida e que brilha conforme o dia se anuncia dentro de cada um de nós, nessa ou naquela amplitude de onda em que nos fomos acrescentando, hoje nesta, amanhã naquela outra, com as cores da alegria, nas sombras da tristeza, a intensidade do entusiasmo, a palidez do desânimo, com as tonalidades de Lisboa, Bruxelas, Barcelona, Sofia, Bruges ou Sintra, onde estamos, por onde passámos e de onde recolhemos e nos espalhámos, atomos de aqui e de ali, de uns e de outros, que se agregam dentro de nós para dar corpo, forma e sentido ao enorme caleidoscópio que somos. É assim, meus amigos, que eu vivo várias vidas na vida só que me foi dada a viver e me declino por todos os farrapos que vou escrevendo sempre que tenho tempo e me apetece. Hoje estou em Barcelona. Outro registo. Será porque sou um caleidoscópio. Por isso o escrevo. Não vá esquecer-me. Com chuva, com sol, a cores, a preto e branco, num ou noutro de cada um, tenham um bom dia. E brilhem!

OUTROS NOMES DE OUTROS


Cada um sabe de si. Porque gosta disto, prefere aquilo, se afasta do outro, se centra aqui. Porque corre, porque pinta, escreve, canta, lê, desenha, constroi e conversa. O que o faz rir, o comove, o horroriza, o abala, o convence, o implica, o arrasta ou influencia. E como interioriza e processa tudo o que recolhe e vibra, brilha, irradia. E porque o faz. E como. Eu sei porque o faço, como o faço, o porquê de o fazer e apenas deixo o quando ao aleatório das circunstâncias. E nesse processo intervenho só eu e o que sinto, e o que sinto é o que escrevo, porque escrevo para perceber o que sinto. Haverá em mim átomos de outros e partículas de tudo o que me rodeia e me chega porque não estou só nem as minhas fronteiras são opacas ou impermeáveis, mas guio-me essencialmente pelos meus códigos e pelas leis do meu Universo mais próximo, onde os campos de energia se materializam no que sou e no que sou apenas. Não busco referências alheias nem me sei reger por códigos de outros e menos me revejo no que outros antes de mim disseram ou deixaram dito ou escrito. Tudo o que sinto vem de mim e me faz sentido a mim e não procuro convencer ninguém senão a mim mesma. Haverá formas mais doutas e eruditas de exprimir o que se sente, mais pensadas, mais construídas de reflexão, carregadas de filosofia aprendida, repletas de rodapés de referências bibliográficas escritas por outros, chamadas de atenção doutrinárias reconhecidas e respeitadas...Havê-las-á quando for esse o objetivo, o de reforçar o que se sente com o que outros disseram e sentiram e exprimiram e para quê e porquê? Porque se é feito disso, dessas referências alheias e pensadas por outros, um dia, ditas por outros, sentidas por outros mas não por nós. Eu sou eu, outros serão outros, cada um é o que é e sabe de si. Não explico ao outros o que devem ser, o que poderiam ser ou o que deixam de ser mas apenas o que sou e como sinto e por isso escrevo. Não pretendo ir nem um milimetro mais além daquilo que sou capaz de sentir e se mais alguém, além de mim, sente como eu, é pura coincidência, nunca consequência de uma pretensão. Deus deu-me apenas um e só um território. A caneta que encontrei serve para nele me escrever. Outras coisas serão "nomes de outros" e terão, por isso mesmo e como não podia deixar de ser "outros nomes".

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013


Estou a pensar que do capital teconologico, do financeiro e do humano, este ultimo é o unico que se auto-reproduz. Po-lo a render supera em larga escala qualquer investimento que se faça no tecnologico ou no financeiro. Invista no capital humano! Invista em si e nos potenciais tesouros humanos que o rodeiam! É como ganhar o Euromilhões!!!!!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013


Pego no livro de Daniel Cohn-Bendit e Guy Verhofstadt sobre a Europa. Advogam uma revolução post-nacional. Primeira página? O de sempre. "Estamos a ser iltrapassados por..." Mau humor. Começamos mal. Continuo. "A Europa é um Continente de cabelos grisalhos..." E?, pergunto-me. Qual o mal? Somos um peso? Somos um desperdício? Somos emplastros? A verdadeira revolução poderia vir destes cabelos grisalhos cheios de experiência, cheios de vida e ainda cheios de energia. Porque se faz este raciocinio tão basico? Eu sou grisalha e vejo que tenho tanta ou mais energia, curiosidade, capacidade inovadora e de adaptação que os milhões de jovens que andam pelo mundo. Não somos um peso, não! Somos o capital humano mais qualificado que a Historia da Humanidade jamais produziu. No dia em que nos fartarmos de ser vistos como chumbo num mundo volatil, efímero e transitorio. Pego no "Riem ne s'oppose à la vie", da Delphine de Vigan. Um romance sobre a mãe. Muito mais construtivo e enriquecedor.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013


Um dia ainda hei-de escrever a sério sobre os peitilhos enervantes, camisolas de lã picantes, os collants escorregadiços, as botas de chumbo, as gabardines de oleado, as saias de flanela grossa, os passe-montanha da mesma lã picante, as pastas de carneira, os pães com manteiga acumulados no fundo das mesmas, o papel encerado, estrela do ano, que forrava cadernos e livros, a inestimável pedra-pomes, complemento inseparável da caneta de tinta permanente, o cheiro do leite quente no tupperware...meu Deus, que enjôo...os papeis dourados e prateados das estrelas de Natal...e tantos outros postais partilhados com tantas pessoas que, por terem vivido, sentem o mesmo que eu. Estamos juntos nesse olhar sobre um passado comum e isso é alegria no estado puro!

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